Edson Barbosa, Advogado

Edson Barbosa

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Juliana Peliciotti, Advogado
Juliana Peliciotti
Comentário · há 6 anos
Olá, Doutores.

Com todo o respeito, discordo totalmente.

Em que pese a questão do proveito econômico do cliente (causas que serão perdidas ou valem muito pouco), a consulta é exatamente isso, analisarmos o caso e dar o feedback do que é ou não possível fazer, e para tanto deve ser cobrada.

Já com a questão da complexidade, a tabela da OAB diferencia uma consulta simples de uma consulta com análise de documentos e também uma análise de processo. São três itens distintos e com seus respectivos valores mínimos. Vale ressaltar que é valor MÍNIMO, isto porque se o caso for mais completo, você aumenta o valor, mas jamais cobrar abaixo, justamente porque é o mínimo.

No início eu cobrava a consulta às vezes, e percebi que aqueles que não querem pagar consulta são os que menos nos valorizam e muitas vezes gastam o nosso tempo apenas "fazendo umas perguntinhas" e acabam não fechando nada. Pior, quando fazemos essa primeira análise de graça e o cliente depois leva nosso feedback para outro colega que cobra mais barato fazer. Acreditem, já vi cliente gravar escondido a consulta para levar para outro profissional mais barato que não sabia como proceder com o caso.

Além do mais, em se falando da situação econômica do cliente, caso ele não tenha como pagar a consulta, não ficará à deriva, pois há a defensoria pública justamente para o atendimento de pessoas de baixa renda. Não poucos os clientes que fingem não ter dinheiro apenas para não pagar ou pagar abaixo da tabela, mas na verdade tem condições e sequer seriam aprovados na triagem de necessitados da defensoria pública.

Temos que nos atentarmos que a nossa classe está demasiadamente sucateada e desprestigiada por colegas que não cobram consulta ou cobram honorários abaixo da tabela. É preciso lembrar que para "responder uma perguntinha" tivemos que estudar 5 anos, nos formar, passar no exame de ordem e pagar nossa anuidade.

Vejamos que essa é uma questão de costume. Quem procura um médico e pergunta SE ele cobra a consulta? Isto porque é unânime que os médicos cobram a consulta, isso já na entrada do consultório. Se você tiver uma dor de garganta ele não irá te atender de graça só pra dar uma olhadinha nela, pois essa olhadinha é justamente a consulta.
E se o cliente não tem dinheiro para pagar um médico particular, ele bate na porta do consultório e pede de graça ou mais barato? Não, ele vai diretamente para o atendimento público, no nosso caso seria a defensoria.
Se o cliente tem um problema renal, por exemplo, ele vai ao consultório médico e paga a consulta para que o caso dele seja analisado. Caso ele precise de uma cirurgia, pagará pela cirurgia também, que no nosso caso é a atuação em si.
No mais, a advocacia não tem uma função social maior (nem menor) que a medicina, para que se sinta em uma "obrigação" de caridosamente não cobrar.

Conseguem perceber que isso tudo é uma questão cultural, de costumes? Isso tudo criado por nós mesmos, nossa classe desunida e desleal, em que cada um quer fazer um leilão inverso dos honorários para ficar com o cliente do outro, trabalhando demasiadamente por valor vil. Na verdade, se todos cobrássemos consulta e honorários dentro da tabela, essa discussão sequer existiria, como não existe com os médicos, e assim todos poderíamos receber valores justos pelos nossos trabalhos.

Por fim, não cobras os honorários ou cobrá-los abaixo da tabela constitui infração ética, salvo quando respeitado o trabalho pró-bono nos ditames da lei. Logo, isso, na verdade, sequer deveria ser discutido, por não ser uma faculdade.

Espero ter ajudado e fico à disposição dos colegas.

Abraços,
Juliana Peliciotti.
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